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Amamentação: 5 mitos que aumentam a insegurança das mães e o que é verdade

Amamentação: 5 mitos que aumentam a insegurança das mães e o que é verdade Adobe Stock Amamentar pode parecer um processo natural e intuitivo, mas, na prá...

Amamentação: 5 mitos que aumentam a insegurança das mães e o que é verdade
Amamentação: 5 mitos que aumentam a insegurança das mães e o que é verdade (Foto: Reprodução)

Amamentação: 5 mitos que aumentam a insegurança das mães e o que é verdade Adobe Stock Amamentar pode parecer um processo natural e intuitivo, mas, na prática, a chegada do bebê também traz uma série de dúvidas, inseguranças e informações equivocadas. Existe leite fraco? Se o recém-nascido pede o peito muitas vezes, significa que o leite não está sustentando? Uma mãe doente precisa interromper a amamentação? Essas crenças podem aumentar a ansiedade justamente em um período de adaptação e, em alguns casos, contribuir para dificuldades no aleitamento. Segundo a obstetra Silvia Regina Piza, da Comissão de Amamentação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), informações incorretas sobre a produção de leite e as necessidades do bebê ainda chegam com frequência às mães. No Agosto Dourado, mês de incentivo e conscientização sobre o aleitamento materno, o g1 reúne cinco mitos comuns sobre a amamentação e explica por que eles não devem ser encarados como verdade. 1. Existe leite fraco? A aparência do leite materno pode variar, mas um aspecto mais aguado não significa que ele seja "fraco". O leite é produzido para atender às necessidades do bebê, e sua composição muda tanto ao longo de uma mesma mamada quanto conforme a criança cresce. Agora no g1 Por isso, em vez de avaliar visualmente o leite, é mais importante observar se o bebê está mamando adequadamente. O ganho de peso e o acompanhamento pediátrico são referências importantes nesse processo. Piza afirma que a ideia de que o leite materno pode não ser suficiente ainda aparece entre as informações recebidas pelas mães. "Muitas vezes, as mães são tomadas por uma série de opiniões de que o leite é fraco, não consegue suplementar todas as necessidades do bebê. Não é suficiente para esse bebê. Que o bebê chora e quer mamar muitas vezes porque o leite não é suficiente e nada disso é uma informação real", explica. Para a obstetra, compreender como funciona o aleitamento ajuda a enfrentar essas inseguranças, especialmente nas primeiras semanas. 2. O bebê precisa mamar de três em três horas? Não existe um intervalo único que sirva para todos os bebês. Em geral, a amamentação deve respeitar a demanda da criança, e a frequência pode variar de acordo com a idade, a fase do desenvolvimento e as características individuais. O choro também não é o único sinal de fome. Antes de chegar a esse ponto, o bebê pode procurar o peito, mexer a boca, levar a mão à boca ou ficar mais inquieto. Segundo Piza, entender essa dinâmica pode ajudar a mãe a atravessar o período inicial de adaptação. "Quando ela entende que o aleitamento materno inicialmente deve ser com livre demanda, que o bebê tenha o tempo dele, que isso vai se ajustando, esse processo se prolonga", afirma. A especialista também chama a atenção para práticas que podem interferir nesse processo. Entre elas estão a oferta de fórmulas ou outros alimentos entre as mamadas e o uso de bicos artificiais, que podem provocar uma confusão na pega. Segundo Piza, muitas vezes essas condutas não acontecem por uma decisão consciente da mãe, mas por orientações equivocadas recebidas durante o período de amamentação. 3. Se o bebê mama muito, é porque o leite não sustenta? A frequência das mamadas, isoladamente, não indica que a produção de leite seja insuficiente. Há períodos em que o bebê pode pedir o peito muitas vezes em sequência, comportamento conhecido como "cluster feeding". Além da alimentação, a mamada também está relacionada a conforto, vínculo e regulação do bebê. Por isso, simplesmente contar quantas vezes a criança procura o peito não é suficiente para concluir que ela não está sendo alimentada adequadamente. Novamente, o ganho de peso e o acompanhamento profissional são fundamentais para avaliar se o bebê está mamando de forma adequada. A crença de que mamadas frequentes são sinal de leite insuficiente é justamente uma das informações equivocadas citadas pela obstetra como fonte de insegurança para as mães. 4. Quem está doente precisa parar de amamentar? Estar doente não significa automaticamente que a mulher precise suspender a amamentação. A decisão depende da doença e do tratamento utilizado. Muitas doenças comuns não exigem a interrupção do aleitamento e, em determinadas situações, mantê-lo pode ser importante. Também é necessário avaliar os medicamentos que a mãe está utilizando. Por isso, a orientação é não suspender a amamentação por conta própria — nem deixar de tomar um medicamento necessário por medo de prejudicar o bebê. A situação deve ser avaliada por um médico. 5. Depois de voltar ao trabalho, a mãe precisa parar de amamentar? A volta ao trabalho não significa necessariamente o fim do aleitamento. Dependendo da situação, a mulher pode continuar oferecendo o peito quando estiver com o bebê e retirar leite para que seja oferecido posteriormente. Planejar essa transição pode ajudar a conciliar as duas situações. Nesse momento, a rede de apoio e a orientação profissional também têm papel importante. Dor, fissuras e dificuldade na pega estão entre causas de desmame precoce Além dos mitos, dificuldades físicas nos primeiros dias ou semanas podem colocar a continuidade da amamentação em risco. Segundo Piza, entre as principais causas de desmame precoce estão as complicações mamárias iniciais. Uma delas é o ingurgitamento, caracterizado por um inchaço exagerado que deixa a mama endurecida e dolorida. O quadro também pode dificultar a pega do bebê e favorecer traumas nos mamilos, provocando fissuras ou rachaduras. "Além de ser um processo doloroso, abre a margem para que ocorram as fissuras, as rachaduras dos mamilos, porque existe uma dificuldade na pega e isso favorece o trauma papilar", explica. As lesões podem ser extremamente dolorosas e, em alguns casos, sangrar. Segundo a obstetra, o conjunto de dor, dificuldade para o bebê pegar a mama e lesões nos mamilos pode acabar levando ao abandono precoce do aleitamento. Para Silvia, conhecer previamente a fisiologia da amamentação e entender as dificuldades que podem surgir nas etapas iniciais ajuda a mulher a compreender melhor o processo. 'Não tem que ter culpa' Além das dificuldades físicas e das informações equivocadas, existe outro peso que pode acompanhar a amamentação: a culpa quando o processo não acontece como a mãe imaginava. Piza afirma que o período inicial pode envolver dificuldades e adaptação e destaca a importância de uma rede de apoio para ajudar a mulher nesse momento. "Essa mulher deve entender que podem existir dificuldades. Mas se ela tem uma rede de apoio que a ajude e se ela entende isso, ela consegue vencer essas dificuldades e não se sentir culpada", afirma. A obstetra ressalta, porém, que também existem mulheres que não conseguem ou não querem amamentar e que essa decisão precisa ser respeitada. Para ela, é necessário apresentar as possibilidades e os benefícios da amamentação, sem retirar da mulher o protagonismo sobre a decisão. "Não tem que ter culpa, não tem que ter culpa. Cada pessoa tem uma vontade, tem uma possibilidade e isso deve ser respeitado socialmente", diz. Acesse o site da Rede de Bancos de Leite Humano - Fiocruz.